Poema da Semana

(Luísa Ducla Soares 1939)

Na Máquina do Tempo

 

  Ah, se eu pudesse andar        

na máquina do tempo!

Quebrava esse horror

que é o despertador.

Só saía ao meio-dia

para a escola que abria

às oito da manhã,

sem ralhos da mamã...

 

Ah, se eu pudesse andar

na máquina do tempo!

Correndo em marcha atrás

caçava lá atrás

um dinossauro anão

que seria o meu cão.

Pois grande, francamente,

metia medo à gente...

 

Ah, se eu pudesse andar

na máquina do tempo!

Punha-me a acelerar

para só aterrar

em distantes planetas,

que estão por descobrir.

Aonde eu havia de ir...

 

Quando eu puder andar

na máquina do tempo,

hei de te convidar

para também passear,

E se tiveres coragem,

será longa a viagem...

Aonde queres vir comigo?

Vai já pensando, amigo...

 

            Luísa Ducla Soares, A Cavalo no Tempo - Civilização Editora 2003

               Um dos mais belos contos de Natal

De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício. E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava a arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia e, no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa... E caía o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Calados, os penedos lembravam penitentes. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, são um carrego. Não havia que ver: nem pensar noutro pouso. E dar graças! (...)

Novos Contos da Montanha, Miguel Torga

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Desafios de Leitura

Conhece os Super Poderes da Leitura, "Visão Junior"

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Kaciane Caroline Marques tem apenas 11 anos, mas sua grande paixão pela literatura já fez com que lesse mais de 560 livros e criasse a  sua própria biblioteca em casa, com cerca de 5 mil títulos, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Clica na imagem e acede a esta história exemplar.